Li o nono fasciculo da Caros Amigos Especial - Os negros, esse dedicado as religiões e mergulhei num universo litúrgico plural, onde desde as religiões de base cristã são ocupadas pelos negros e tomam a singularidade de nossa cultura. Uma parte em especial, que pergunta se o candomblé é a religião autêntica do negro é explicada por Joel Rufino de uma maneira bastante reflexiva e a transcrevo a seguir:
"Se estamos dizendo que há uma religiosidade original afrobrasileira, está certo. Se estamos dizendo que o negro, por ser negro, só deve ter o candomblé como religião, não. Há uma sutileza ai: religiosidade não é o mesmo que religião. Religiosidade é uma maneira de se relacionar com o mundo invisível (os deuses, os espiritos, os antepassados); religião é uma instituição social, quase sempre com livro sagrado, dogmas, e hierarquia entre os sacerdotes e entre estes e os crentes.
A religiosidade genérica dos africanos vive na dos brasileiros de hoje, tanto negros quanto não-negros. Qualquer religião que o negro pratique tem a marca dessa religiosidade fundamental. Sua marca é a falte de pretensão a religião única, que sirva a todoso os homens, em todos os lugares, como a cristã. Toda religião é exclusiva, só se pode ter uma de cada vez; já a religiosidade é inclusiva, pode-se ter várias ao mesmo tempo. O culto dos orixás pode ser praticado sem o crente renunciar a outras crenças e, até mesmo, ao ateísmo."
Em tempos de agonia e desespero, quando só a fé parece ser a solução para os problemas do estado é necessário que a gente olhe pra todos os lados, com respeito e integração irmã. Em tempos ruins onde cada um dos deuses, de cada religião são tão clamados, é importante que deixemos de lado a intolerância pois queremos sempre o melhor para todos e só a fé irmã, que rompe religiões e se concentra na religiosidade, fará com que sejamos melhores e mais humanos.

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